Ora, lutei muito para
Ser o cara que já sou
Hoje em dia, mas vejo
Que o tempo passou,
E hoje, fico pensativo
Na Chácara Santa Maria.
Por que, ó Querino?
Porque hoje em dia,
Eu já vejo meu corpo
Envelhecido, sem ter
Mais a força que eu
Almejo para eu fazer
Algo de bom no Orbe
Intitulado Terra,
Mormente aqui em
Meu bom pé de serra
Titulado Bananeiras,
Lugarejo onde nasci,
Cresci e estou ditoso
Com a D. Marisa aqui
Na Chácara Santa Maria.
Então, agora, olho sim
Para o Céu e já aprecio
Tudo tintim por tintim,
E daí eu me pergunto:
Por que a gente só ver
A vida ficar boa depois
De o corpo envelhecer?
Mas volto atrás e cito
A frase do saudoso avô
De D. Marisa, que tê-la
Para sempre eu vou
Na alma, no espírito
E também no coração,
Porque é verdade sim,
E não mudo a opinião:
“A gente ajunta com
Os dentes, para comer
Com a gengiva.” Então,
Isso me faz entender
Que, quando a gente
É jovem, pode comer
De tudo e o corpo fica
Na boa, ao envelhecer
A gente necessita ter
Um bom recurso para
Manter esta vida aqui,
Pois a gente se depara
Com o corpo cansado,
Doente e, sobretudo,
Velho, a ponto de não
Poder comer de tudo.
Daí se a gente não fez
Nenhuma economia,
A gente terá uma vida
De carência e agonia.
Ora, um velho que já
Tem bom patrimônio,
É óbvio, não vai faltar
Nada, porque o sonho
De todo mundo é ter
Alguma coisa na vida,
E velho que não tem
Nada, nenhuma amiga
Vai se aproximar dele.
Então, agora, entendo
Essa frase que o avô
De D. Marisa, dizendo
Aqui vivia pra gente:
“A gente ajunta com
Os dentes, para comer
Com a gengiva.” É bom
Um jovem entender
Essa frase, para não
Esperdiçar seus bens
Achando que não vão
Fazer nenhuma falta,
Quando vier a velhice.
Ora, tudo isso se vai,
Mas deve ter ledice
Pelos bens que já tem
Nesta vida moderna,
Pois nenhuma coisa
Aqui na Terra é eterna.
Tudo pode vir na boa,
E tudo também se vai
Sem a gente perceber.
Quem nessa onda cai,
A tendência é ter sim,
A velhice amargurada.
Não seja besta não,
Você sai de madrugada
Para trabalhar na boa,
A fim de conseguir
Seu patrimônio e ser
Sim reconhecido aqui.
Daí começa a gastar
Intuindo que vai ter
Esse patrimônio pra
Todo tempo. Você
Está penando errado,
Pois minha mãe Dedé,
Sempre assim dizia:
“Quem na vida quer
Ter uma velhice boa,
Trabalhe com fé, amor,
Alegria e faça sempre
Seu pé-de-meia. Vou
Contar um caso sim,
Que incidiu na Terra,
Sobretudo neste meu
Amado pé de serra
Titulado Bananeiras:
Ora, um parente meu
Tinha uma vida sim,
Abençoada por Deus,
Mas ele falou besteira
Confiando na “riqueza”
Que achava que tinha.
Daí disse com firmeza:
‘Eu queria ser pobre,
Só pra eu ver como é
A vida de um pobre’.”
Isso minha mãe Dedé
Relatou pra mim aqui
No vasto Orbe Terra,
Mormente em meu
Apreciado pé de serra
Titulado Bananeiras,
Lugarejo onde nasci,
Cresci e já vivo ditoso
Com a D. Marisa aqui
Na Chácara Santa Maria.
Aonde eu sempre vou
Trazer essa frase que
Já dizia o saudoso avô
De minha terna Varoa,
Meu amor e querida,
A minha Companheira,
Até aqui, D. Marisa:
“A gente ajunta com
Os dentes, para comer
Com a gengiva.” Então,
É o motivo de eu ser
Sim um cara separado,
Pois já sei o quanto dói
E os anos que já sofri.
O que a gente constrói
Aqui no vasto Planeta
Intitulado Terra,
Principalmente aqui
Em meu pé de serra,
Não é para esbanjar
Como besta que rala
Dia e noite, noite e dia,
Achando que é o cara
Que tudo pode fazer.
Daí a pouco, já está
Na pior, e vendo tudo
Se indo, até a Varoa já
Está pensando de cai
Fora, porque ninguém
É obrigado sofrer não,
Por gente que não tem
Controle nesta vida.
Ora, já quer se lascar?
Vá! A escolha é sua,
Me deixe neste lugar
Em paz. Então, jamais
Serei besta na Terra,
Sobretudo neste meu
Querino pé de serra
Titulado Bananeiras,
Lugar onde eu nasci
E cresci sim, sofrendo,
E sem D. Marisa aqui,
Eu seria um lascado
Ou já teria morrido.
Então, pra mim a vida
Já tem mais sentido,
E tudo isso vai passar,
Como passaram anos
E já completo neste
Meu cantinho baiano
Os meus 65 anos sim,
De vida ao lado desta
Mulher querida, meu
Amor e Musa Poética.
Mário Querino – Poeta de Deus

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