Alguém perguntou:
“Carnaval é algo
Que alegra a alma
E espírito do Diabo?”
O que eu redarguir?
Ora, somente isso:
Se Carnaval alegra
A alma e o espírito
Do Diabo, eu não sei,
Quando eu era moço,
Pulei, pulei, pulei...
Carnaval feito louco.
Não pra alegrar alma
E espírito do Diabo,
E sim, meu espírito
E minha alma. Algo
Ao contrário, não
Sei, se o Diabo teve
Esse prazer de ficar
Se alegrando, desde
Esse tempo até aqui,
Eu nunca vi não,
O Diabo no Carnaval
Pulando na multidão.
Eu pulava numa boa,
No tempo que pulei,
Eu nunca vi o Diabo
E nem nunca escutei
Alguém dizendo que
O Diabo estava ali
Onde a gente pulava
Pra ele se divertir.
Ora, não leve a mal,
Já frequentei Templo
E em todos os cultos
Via o Diabo dentro,
A ponto das pessoas
Caírem sim, no chão
Como se tivessem
Parado seu coração,
Quando o Pregador
Expulsava da pessoa
Os tais demônios,
Ali eu intuía na boa.
Agora, eu pergunto:
Quem já viu alguém
Caindo endiabrado
Como já caído tem
Dentro dum Templo?
Ora, se um Pregador
Expele o Diabo,
É porque ele entrou
No Templo e lá ficou
Até o culto terminar.
Cai gente igual imbu,
Mas o Carnaval está
Prontinho pra fazer
O povo pular, pular...
Até não quiser mais,
E o tal Diabo nem lá
Vai. Agora, inquiro:
Quem já viu o Diabo
Pulando Carnaval?
Quem viu, diga algo
Sobre o seu aspecto
Como comentário.
Assim tira a dúvida
Deste Poeta Mário
Querino do Distrito
De Bananeiras. Ora,
Acho que isso seja
Ilusão, e até agora,
Vejo efígie do Diabo,
Isso me faz indagar:
Se o Diabo é espírito
Como lhe fotografar,
Se câmara nenhuma
Alcança um espírito?
Isso me faz ficar sim,
Cogitando no Distrito.
A final de contas, eu
Vou citar a verdade:
É gente que ilude
Com falsa realidade.
Quem acha que se
O Diabo fosse assim,
Com rabo e chifres,
Ele tintim por tintim
Iludiria uma Mulher
Bonita e muito rica?
Ora, até eu mesmo,
De máscara, não fica
Uma pessoa perto
De mim, o medo é
Tanto, que se caga.
Então, você já quer
Jogar sua culpa sim,
Para um individuo
Que a Polícia não vai
Nunca deixar detido.
Por que, ó Querino?
Porque o Diabo não
Faz nada, quem faz
Sou eu e você, irmão.
Ora, quem vai pular
Carnaval é o povo
E não, o Diabo. Vá,
Amanhã, tem de novo,
E tire a sua dúvida,
Veja se você acha
O Diabo pulando lá
E tomando cachaça.
Você pode até achar,
A sua mulher, seus
Filhos e seus amigos,
Assim, já penso eu.
Mário Querino – Poeta de Deus

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