Quem quiser poesia,
Já pode me solicitar,
Contudo, não venha
Não, me entrevistar.
Quer falar comigo?
Há tempo até morrer,
Pois o meu trabalho
Não impedirá eu ter
O bom diálogo não,
Já estou livre agora,
Quem quiser falar,
Escolha a sua hora,
Que a gente dialoga
Até o dia inteiro sim,
Ou a noite todinha,
Só não venha a fim
De fazer Entrevista,
Porque já sou ciente
Que o Entrevistador
Sabe mais que a gente.
Neste caso, eu acho
Algo fora da noção.
Por que, ó Querino?
Pensa bem, ó irmão:
Achas que eu farei
Uma pergunta para
Quem sabe menos
Do que eu? Eu, cara,
Que amo orientar
A quem não sabe,
Vou fazer pergunta
Do que já sei? Cabe
A eu perguntar sim,
A quem sabe, para
Eu aprender mais,
Quero ser um cara
Bem instruído por
Quem sabe mais.
Ora, como ousarei
Perguntar o que faz
O Entrevistado ficar
Frustrado por algo
Que eu já sei tudo
Sim, tudo decorado?
Porque eu todo dia
Procuro aprender
Com quem já sabe.
E por que vou fazer
Perguntas a quem
Menos do que eu
Está sabendo aqui
No Mundo de Deus?
Achas que eu vou
Pedir alguém para
Contar um caso,
Eu sendo um cara
Que sabe melhor?
Ora, Entrevista, não
É papo para mim,
Pois tenho a noção
De que, quem vier
Entrevistar-me já
Sabe do assunto
Que vem indagar.
E não há coisa pior
Do que responder
Algo para quem já
Sabe mais. Vai ser
Sempre corrigido,
Porque oralmente,
Nem todo mundo
Dialoga livremente.
Faço sim, com amor
E grátis uma poesia,
Mas nunca ouse vir
À Chácara Santa Maria
Fazer-me Entrevista,
Pois eu sou é Poeta,
E redijo no momento
Ou na hora certa,
A final de contas, eu
Não sou não, Orador
Para inventar casos
Sem antes o Senhor
Inspirar-me. Então,
Quer sim, conversar
Comigo, venha aqui,
Que o tempo me dar
Tempo pra gente ter
Uma boa conversa,
Você como visitante
E eu como Poeta,
Mas tire do encéfalo
A ideia de Entrevista,
Porque a minha fala
Só deve ser escrita
Ou um diálogo fora
De uma Entrevista.
Pois não fiz curso
Para ter fala bonita,
Se eu escrevo sim,
Poeticamente é só
Por amor e não ter
Aqui algo melhor.
Mas nunca venha
Para me entrevistar,
Porque sou Poeta,
E eu não sei falar
Oralmente no Orbe
Intitulado Terra,
Sobretudo em meu
Amado pé de serra
Titulado Pindobaçu
Onde fica Bananeiras,
Lugarejo onde nasci
E fico a vida inteira
Com a Mulher que
Eu amo de coração,
E ela cuida de mim
Neste amado sertão,
Onde fica a chácara
Titulada Santa Maria
Construída por nós,
Com fé, amor, alegria,
Paz e gratidão a Deus.
Ora, nunca venha não,
A mim com essa
Vontade no coração
De fazer Entrevista,
Porque já sou ciente
Que o Entrevistador
Que vier até a gente,
Já sabe muito mais
Do que eu, ó cara.
O que vai adiantar,
Eu usar minha fala
Diante de quem já
Sabe essa história
Mais do que eu?
Usarei a memória
Para objetar algo
Para essa gente
Que já sabe muito
Mais, e sou ciente
Disso tudo, irmão?
Então, venha sim,
Com paz e regozijo
Ficar perto de mim,
Mas se esqueça sim,
De fazer Entrevista.
Porque você já sabe,
Só não acredita.
Mário Querino – Poeta de
Deus

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