Ora, alguém inquiriu:
“É lícito uma pessoa
Trabalhar feita louca,
Dar a metade à-toa,
Para quem nada fez?”
Ora, o que eu objetar?
Simplesmente só isso:
Eu não devo advogar,
Questão de ninguém,
Pois não tenho Carta
Branca pra fazer isso
De uma forma exata,
Mas, porém, contudo
E, todavia, já intuo sim,
Que isso não é normal,
Quer dizer, para mim.
Por que, ó Querino?
Ora, o cara trabalhar
Tantos anos pra obter
Algo de bom e ficar
Vivendo aqui na boa,
E depois surgir sim,
Uma pessoa do nada
E tintim por tintim,
Pega uma vil questão
Com esse cara, e leva
A queixa ao Advogado,
Que essa causa pega
Por ser bom Doutor,
Daí abre um Processo
Contra esse cara sim,
Que luta com sucesso
Para conquistar seus
Bens materiais na boa,
Mas infelizmente veio
Iludir-lhe essa pessoa
Que visou tomar sim,
A metade dos bens?
Ora, francamente, eu
Faria isso também:
Quem quiser achar
Que sou ignorante,
Que ache, porém, eu
Perderia no instante,
Tudo que eu tivesse
Na minha posse sim.
Por que, ó Querino?
Ora, porque pra mim
Trabalhar feito louco,
E depois alguém que
Não fez nada, tomar
Com a “Justiça” e ter
Ainda direito de eu
Não ter direito nem
De passar 200 m por
Ali, perto também.
Ora, como sou louco,
Abandonaria tudo,
E procuraria fazer um
Rancho, sobretudo
No pé de uma serra
Onde eu viveria sim,
Com bichos brutos,
Pois o saber pra mim,
Seria grande burrice,
Porque quem rala
Honestamente aqui,
Pra ser sim, um cara
Bem sucedido e não
Ter o direito de ser
Dono de algo que já
Conquistou no viver,
Merece não morrer,
Para não dar gosto
Ao Diabo, mas deve
Fazer papel de louco,
Deixar o que possui
Às mãos do Advogado,
E ele dê a quem ele
Quiser. Ficaria lascado,
Mas morreria em paz
Longe de alguém
Que eu chamava sim,
De paixão e de bem,
E ainda de meu amor
E minha querida.
Ora, sinceramente,
Perderia tudo na vida,
Mas caçar a “Justiça”
Pra eu ter direito só
Na metade do que é
Meu, seria melhor
Para mim, ir morar
Num canto deserto,
Sem a inteligência
E sem saber esperto,
Para não tomar não,
Os bens de quem
Obteve com fé, suor
E sangue também,
Derramado durante
Horas de labor árduo.
Ora, sinceramente,
Deixaria tudo jogado
Para quem quisesse
Tomar de conta sim.
Pois o cara trabalhar
Feito louco, e no fim
Das contas, perder
A metade de tudo,
Para quem não faz
Um chá? É absurdo,
O cara ser obrigado
Ficar 300 m longe
De algo que é seu,
Por que se cônjuge
Entregou-lhe sim,
Às mãos da “Justiça”
Então, eu logo diria:
Ora, com tudo fica,
Eu quero é viver sim,
Na paz, e não tem
Coisa melhor do que
Ser livre também,
Sobretudo, da “Justiça”
Que obriga o cara
Pegar tudo o que é
Seu e dá. É coisa cara,
Porém, eu participar
De Audiência, não é
Papo para mim não,
Todavia, quem quiser,
Vá numa boa, deixe
Eu sem nada aqui,
Se eu posso perder
A metade para ti,
Não me incomoda
Perder tudo não.
Na minha loucura,
Não tenho pretensão
De brigar na “Justiça”
Por nada nesta vida.
Mas se for obrigado
Eu ir, eu direi: fica...
E me deixa aqui sim,
Em paz, e vá fruir
Do jeito que você já
Quer me deixar aqui.
Mário Querino – Poeta de
Deus

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