quinta-feira, 23 de julho de 2026

BRIGAR NA “JUSTIÇA” POR ALGO, NÃO FAZ PARTE DA MINHA CULTURA

 


 

Mário Querino 23/07/2026

Ora, alguém inquiriu:

“É lícito uma pessoa

Trabalhar feita louca,

Dar a metade à-toa,

 

Para quem nada fez?”

Ora, o que eu objetar?

Simplesmente só isso:

Eu não devo advogar,

 

Questão de ninguém,

Pois não tenho Carta

Branca pra fazer isso

De uma forma exata,

 

Mas, porém, contudo

E, todavia, já intuo sim,

Que isso não é normal,

Quer dizer, para mim.

 

Por que, ó Querino?

Ora, o cara trabalhar

Tantos anos pra obter

Algo de bom e ficar

 

Vivendo aqui na boa,

E depois surgir sim,

Uma pessoa do nada

E tintim por tintim,

 

Pega uma vil questão

Com esse cara, e leva

A queixa ao Advogado,

Que essa causa pega

 

Por ser bom Doutor,

Daí abre um Processo

Contra esse cara sim,

Que luta com sucesso

 

Para conquistar seus

Bens materiais na boa,

Mas infelizmente veio

Iludir-lhe essa pessoa

 

Que visou tomar sim,

A metade dos bens?

Ora, francamente, eu

Faria isso também:

 

Quem quiser achar

Que sou ignorante,

Que ache, porém, eu

Perderia no instante,

 

Tudo que eu tivesse

Na minha posse sim.

Por que, ó Querino?

Ora, porque pra mim

 

Trabalhar feito louco,

E depois alguém que

Não fez nada, tomar

Com a “Justiça” e ter

 

Ainda direito de eu

Não ter direito nem

De passar 200 m por

Ali, perto também.

 

Ora, como sou louco,

Abandonaria tudo,

E procuraria fazer um

Rancho, sobretudo

 

No pé de uma serra

Onde eu viveria sim,

Com bichos brutos,

Pois o saber pra mim,

 

Seria grande burrice,

Porque quem rala

Honestamente aqui,

Pra ser sim, um cara  

  

Bem sucedido e não

Ter o direito de ser

Dono de algo que já

Conquistou no viver,

 

Merece não morrer,

Para não dar gosto

Ao Diabo, mas deve

Fazer papel de louco,

 

Deixar o que possui 

Às mãos do Advogado,

E ele dê a quem ele

Quiser. Ficaria lascado,

 

Mas morreria em paz

Longe de alguém

Que eu chamava sim,

De paixão e de bem,

 

E ainda de meu amor

E minha querida.

Ora, sinceramente,

Perderia tudo na vida,

 

Mas caçar a “Justiça”

Pra eu ter direito só

Na metade do que é

Meu, seria melhor

 

Para mim, ir morar

Num canto deserto,

Sem a inteligência

E sem saber esperto,

 

Para não tomar não,

Os bens de quem

Obteve com fé, suor

E sangue também,

 

Derramado durante

Horas de labor árduo.

Ora, sinceramente,

Deixaria tudo jogado

 

Para quem quisesse

Tomar de conta sim.

Pois o cara trabalhar

Feito louco, e no fim

 

Das contas, perder

A metade de tudo,

Para quem não faz

Um chá? É absurdo,

 

O cara ser obrigado

Ficar 300 m longe

De algo que é seu,

Por que se cônjuge

 

Entregou-lhe sim,

Às mãos da “Justiça”

Então, eu logo diria:

Ora, com tudo fica,

 

Eu quero é viver sim,

Na paz, e não tem

Coisa melhor do que

Ser livre também,

 

Sobretudo, da “Justiça”

Que obriga o cara

Pegar tudo o que é

Seu e dá. É coisa cara,

 

Porém, eu participar

De Audiência, não é

Papo para mim não,

Todavia, quem quiser,

 

Vá numa boa, deixe

Eu sem nada aqui,

Se eu posso perder

A metade para ti,

 

Não me incomoda

Perder tudo não.

Na minha loucura,

Não tenho pretensão

 

De brigar na “Justiça”

Por nada nesta vida.

Mas se for obrigado

Eu ir, eu direi: fica...

 

E me deixa aqui sim,

Em paz, e vá fruir

Do jeito que você já

Quer me deixar aqui.

 

Mário Querino – Poeta de Deus

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