Eu estava ali capinando
A Trilha Santo Antônio
Que fica internamente
Na chácara, meu sonho,
E meu paraíso também.
Daí eu botei a enxada
Ali encostada na cerca
E dei uma boa dançada
Pra eu alegrar a minha
Alma, o meu espírito
E também o meu corpo
Que vive neste Distrito
Intitulado Bananeiras,
Onde eu nasci, cresci
E fico muito contente
Com a D. Marisa aqui
Na Chácara Santa Maria.
Ora, de repente veio
Um vento do Leste sim,
E vendo as árvores, creio
Que elas dançaram sim
Melhor do que eu aqui.
Daí então, o que eu fiz?
Sem dúvida, só desisti
De dançar. Por que, ó
Querino? Porque elas
Dançavam diferentes,
E não era mais aquela
Dança do meu tempo,
Coladinho com a dama
Que foi sim, escolhida
Pra dançar. Ora a fama
Das danças de hoje em
Dia, sem dúvida, traz
A suspeita de maluca.
Ora, como o vento faz
As árvores dançarem,
Dependendo sim, sua
Intensidade, as árvores
Ficaram quase nuas,
Pois elas iam embaixo
E voltavam pra cima,
Eu parei de dançar sim,
Pois a Natureza ensina
Eu dançar com calma
E coladinho na dama,
Mas hoje em dia, não
É assim, só tem fama
Quem bota o bumbum
Para cima e pra baixo,
Mostrando tudo sim,
Até mesmo o seu...
Ora, até as árvores são
Induzidas. Por isso eu
Parei de dançar, para
Esse povo de Deus,
Não me chamar mais
De maluco no Distrito.
Pois eu com 64 anos
De idade, fazendo isso,
Sem dúvida, vão dizer
Que, de fato, sou louco,
E eu terei que assumir,
Se digo com os outros...
Então, eu parei na boa,
De dançar nessa trilha
Titulada Santo Antônio,
Eu acho uma maravilha
Dançar uma canção,
Mas grudado na dama,
Nem que eu não veja
No salão minha fama.
Ora, uma canção lenta
E a gente dançando
Com a Mulher que ama
Neste cantinho baiano,
É muita emoção para
O Homem romântico,
Apaixonado e sensível.
Por isso eu ouço tanto
As canções que trazem
Letra e melodia pra vida
De um Poeta de Deus
Que ama sim, D. Marisa,
E sempre ouve ditoso
Canções do tempo seu,
Quer conhecer o Poeta?
Esse Poeta sou eu.
Mário Querino – Poeta de Deus

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