Ora, ontem, deu sim
Um vento forte aqui
Na Chácara Santa
Maria, que fez cair
Sim, um pé de licuri.
Eram dois pés sim,
Nasceram na boa
E tintim por tintim
Davam bom fruto
Para a D. Marisa
Fazer boas cocadas
Contente da vida.
E ontem, veio sim,
O forte vento para
Derribar um deles.
Ora, Deus prepara
Tudo, pra que tudo
Chegue o seu fim,
Porque esse pé
De licuri deu a mim
E a D. Marisa, algo
Sim, maravilhoso,
Porque já deu licuri
Para fazer pro povo
A gostosa cocada.
Ora, não é fácil não,
Plantar outro pé
E esperar produção!
Ainda me lembro
De quando esse pé
De licuri era novo,
E pai reservou até
Ele morrer. Agora,
Eu cuidava dele sim,
Até antes do vento
Tintim por tintim
Derribar-lhe, e eu
Com sentimento
Tirei fotos pra tê-lo
No pensamento.
O pé de licuri que
Ficou ainda vivo,
Certamente, ficará
Sem o seu amigo,
Que viu nascer sim
E cresceram juntos
Até o dia de ontem.
Então, já assunto
Que nada fica não,
Aqui no Orbe Terra
Para sempre vivo,
E neste pé de serra
Titulado Pindobaçu
Onde fica Bananeiras,
Lugar onde eu nasci
E vivo a vida inteira
Na Chácara Santa Maria
Ao lado desta Mulher
Intitulada D. Marisa,
Eu já sei como tudo é,
A gente nasce, cresce,
Se ilude com coisas
Que são passageiras
E muitas são doidas,
A ponto de destruir
A gente mesmo,
Basta à gente vacilar,
E não ter mais medo,
Pra Morte vir e fazer
Como fez com o pé
De licuri que eu o vi
Novinho sim, e até
Ontem, estava bem,
Bem sim com a vida.
Assim pode incidir
Comigo e D. Marisa.
Porque nós somos
Limitados, e a vida
Está vulnerável sim,
Pode ser destruída
A qualquer instante,
Seja forte ou fraco,
A Morte vem na boa
E leva para o buraco.
E quem ousa dizer
Que não vai consigo?
Ora, para morrer,
Só basta está vivo.
Ontem, o meu pé
De licuri vivia bem
Ao lado do amigo,
Que agora também
Já está na solidão.
Assim, acontecerá
Comigo e D. Marisa,
Sozinho um ficará.
Por isso eu faço sim,
O bem pra ela aqui,
Pois quando eu for...
E ela me ver partir
Para uma Dimensão
Que não dá para vir
Novamente e ficar
Ditoso com ela aqui.
Então, meu sonho
É vê-la muito ditosa,
Para não ouvir algo
Mau de minha sogra.
Mário Querino – Poeta de Deus



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