quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

SE AINDA VIVO SAINDO É PORQUE EU PRECISO

 


 

Mário Querino 11/02/2026

Eu voltei ao passado

E falei de mãe Dedé,

Era dos meus 7 anos

De idade, e com fé

 

Ela me ensinava sim,

A decorar o meu ABC,

Para então eu saber  

Escrever bem e ler.

 

Então a minha mãe

Ficava horas comigo

Sentada à mesa,

Sem luz boa, eu digo,

 

Para vocês que era

Candeeiro de pavio,

Mas parece que eu

No tempo tinha brio

 

Melhor que agora,  

A minha vista era

Muito boa para ver

Tintim por tintim.

 

Agora, eu tenho luz

Forte que clareia sim,

Mas parece que eu

Só vejo algo ruim,

 

A ponto de ficar sim,

Na Chácara Santa Maria,

Sem ter mais vontade

De sair nenhum dia.

 

Se ainda vivo saindo

É porque eu preciso,

Porém, francamente,

Para vocês eu digo:

 

A vida já achou tanta,

Tanta facilidade

Que perdeu o sentido

De amar com lealdade.

 

Ora, quando eu tinha

Os meus 7 anos

De idade, minha vida

No cantinho baiano

 

Era aperreada sim,

E vivia em Bananeiras

Com pobreza e labor

A semana inteira

 

Pra ajudar meu pai.

Aos 14 anos de idade,

A Profa. Hilda veio

Em casa por bondade

 

E prazer de me ver

Num Ginásio pra eu

Concluir oGrau
Escolar. E o pai meu

 

Achando complexo,

Por achar que não

Podia pagar a Escola

Por não ter condição

 

Financeira no Orbe

Intitulado Terra

Onde fica Bananeiras,

Amado pé de serra

 

Onde nasci, cresci

E vivo analisando

Tudo que eu já fiz

No cantinho baiano,

 

Após ergo os olhos

E pergunto a Deus:

Meu Deus perdoa

Os pecados meus?

 

Ora, eu já pequei

Tanto aqui na Terra,

Se Deus fosse cruel

Neste pé de serra,

 

Não existiria mais

Nem a cinza ou pó

Sobre este Planeta.

Então, acho melhor

 

Não ficar remoendo

Meu passado aqui

Onde tive a graça

De nascer e seguir

 

Vivo até agora sim.

Todavia, tem horas

Que me dá vontade

De sentar e chorar,

 

Chorar, chorar até

Transbordar o rio

Aipim, onde pesquei

Sentindo fome e frio.

 

Ora, para passar isso

Que já passei na Terra

Desde quando nasci

Neste pé de serra,

 

Não há não, dúvida,

Que Deus está sim,

Ao meu lado dando

Tintim por tintim

 

Energia, muita fé

E amor pela vida,

Que me traz ditoso

Ao lado de D. Marisa.

 

Por isso não gosto

De voltar ao passado,

Pois quando me sinto

Sim menosprezado,

 

Eu começo a chorar,

E choro, choro até,

Regressar aos 7 anos,

Quando mãe Dedé  

 

Me ensinava o ABC

Para hoje eu ser sim

Um Poeta de Deus

E tintim por tintim

 

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Pra me fazer chorar,

Chorar, chorar até

O Rio Aipim sobejar.

 

Ora, eu não estou

Rezingando de nada,

Pois já dormi na rua,

E agora tenho casa.

 

Mas eu choro não é

Porque estou ruim,

É por voltar ao meu

Passado e ser assim.

 

Mas nada vem não,

Por acaso, é passado,

E eu já entendo que

Cada caso é um caso.

 

Mário Querino – Poeta de Deus  

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