Eu voltei ao passado
E falei de mãe Dedé,
Era dos meus 7 anos
De idade, e com fé
Ela me ensinava sim,
A decorar o meu ABC,
Para então eu saber
Escrever bem e ler.
Então a minha mãe
Ficava horas comigo
Sentada à mesa,
Sem luz boa, eu digo,
Para vocês que era
Candeeiro de pavio,
Mas parece que eu
No tempo tinha brio
Melhor que agora,
A minha vista era
Muito boa para ver
Tintim por tintim.
Agora, eu tenho luz
Forte que clareia sim,
Mas parece que eu
Só vejo algo ruim,
A ponto de ficar sim,
Na Chácara Santa Maria,
Sem ter mais vontade
De sair nenhum dia.
Se ainda vivo saindo
É porque eu preciso,
Porém, francamente,
Para vocês eu digo:
A vida já achou tanta,
Tanta facilidade
Que perdeu o sentido
De amar com lealdade.
Ora, quando eu tinha
Os meus 7 anos
De idade, minha vida
No cantinho baiano
Era aperreada sim,
E vivia em Bananeiras
Com pobreza e labor
A semana inteira
Pra ajudar meu pai.
Aos 14 anos de idade,
A Profa. Hilda veio
Em casa por bondade
E prazer de me ver
Num Ginásio pra eu
Achando complexo,
Por achar que não
Podia pagar a Escola
Por não ter condição
Financeira no Orbe
Intitulado Terra
Onde fica Bananeiras,
Amado pé de serra
Onde nasci, cresci
E vivo analisando
Tudo que eu já fiz
No cantinho baiano,
Após ergo os olhos
E pergunto a Deus:
Meu Deus perdoa
Os pecados meus?
Ora, eu já pequei
Tanto aqui na Terra,
Se Deus fosse cruel
Neste pé de serra,
Não existiria mais
Nem a cinza ou pó
Sobre este Planeta.
Então, acho melhor
Não ficar remoendo
Meu passado aqui
Onde tive a graça
De nascer e seguir
Vivo até agora sim.
Todavia, tem horas
Que me dá vontade
De sentar e chorar,
Chorar, chorar até
Transbordar o rio
Aipim, onde pesquei
Sentindo fome e frio.
Ora, para passar isso
Que já passei na Terra
Desde quando nasci
Neste pé de serra,
Não há não, dúvida,
Que Deus está sim,
Ao meu lado dando
Tintim por tintim
Energia, muita fé
E amor pela vida,
Que me traz ditoso
Ao lado de D. Marisa.
Por isso não gosto
De voltar ao passado,
Pois quando me sinto
Sim menosprezado,
Eu começo a chorar,
E choro, choro até,
Regressar aos 7 anos,
Quando mãe Dedé
Me ensinava o ABC
Para hoje eu ser sim
Um Poeta de Deus
E tintim por tintim
Redigir esta história
Pra me fazer chorar,
Chorar, chorar até
O Rio Aipim sobejar.
Ora, eu não estou
Rezingando de nada,
Pois já dormi na rua,
E agora tenho casa.
Mas eu choro não é
Porque estou ruim,
É por voltar ao meu
Passado e ser assim.
Mas nada vem não,
Por acaso, é passado,
E eu já entendo que
Cada caso é um caso.
Mário Querino – Poeta de
Deus

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