segunda-feira, 24 de agosto de 2026

A GENTE AJUNTA COM OS DENTES, PARA COMER COM A GENGIVA

 


 

Mário Querino 24/08/2026

Ora, lutei muito para

Ser o cara que já sou

Hoje em dia, mas vejo

Que o tempo passou,

 

E hoje, fico pensativo

Na Chácara Santa Maria.

Por que, ó Querino?

Porque hoje em dia,

 

Eu já vejo meu corpo

Envelhecido, sem ter

Mais a força que eu

Almejo para eu fazer

 

Algo de bom no Orbe

Intitulado Terra,

Mormente aqui em

Meu bom pé de serra

 

Titulado Bananeiras,

Lugarejo onde nasci,

Cresci e estou ditoso

Com a D. Marisa aqui

 

Na Chácara Santa Maria.

Então, agora, olho sim

Para o Céu e já aprecio

Tudo tintim por tintim,

 

E daí eu me pergunto:

Por que a gente só ver

A vida ficar boa depois

De o corpo envelhecer?

 

Mas volto atrás e cito

A frase do saudoso avô

De D. Marisa, que tê-la

Para sempre eu vou

 

Na alma, no espírito

E também no coração,

Porque é verdade sim,

E não mudo a opinião:

 

“A gente ajunta com

Os dentes, para comer

Com a gengiva.” Então,

Isso me faz entender

 

Que, quando a gente

É jovem, pode comer

De tudo e o corpo fica

Na boa, ao envelhecer

 

A gente necessita ter

Um bom recurso para

Manter esta vida aqui,

Pois a gente se depara

 

Com o corpo cansado,

Doente e, sobretudo,

Velho, a ponto de não

Poder comer de tudo.

 

Daí se a gente não fez

Nenhuma economia,

A gente terá uma vida

De carência e agonia.

 

Ora, um velho que já

Tem bom patrimônio,

É óbvio, não vai faltar

Nada, porque o sonho

 

De todo mundo é ter

Alguma coisa na vida,

E velho que não tem

Nada, nenhuma amiga

 

Vai se aproximar dele.

Então, agora, entendo

Essa frase que o avô

De D. Marisa, dizendo

 

Aqui vivia pra gente:

“A gente ajunta com

Os dentes, para comer

Com a gengiva.” É bom

 

Um jovem entender

Essa frase, para não

Esperdiçar seus bens

Achando que não vão

 

Fazer nenhuma falta,

Quando vier a velhice.

Ora, tudo isso se vai,

Mas deve ter ledice

 

Pelos bens que já tem

Nesta vida moderna,

Pois nenhuma coisa

Aqui na Terra é eterna.

 

Tudo pode vir na boa,

E tudo também se vai

Sem a gente perceber.

Quem nessa onda cai,

 

A tendência é ter sim,

A velhice amargurada.

Não seja besta não,

Você sai de madrugada

 

Para trabalhar na boa,

A fim de conseguir

Seu patrimônio e ser

Sim reconhecido aqui.

 

Daí começa a gastar

Intuindo que vai ter

Esse patrimônio pra

Todo tempo. Você

 

Está penando errado,

Pois minha mãe Dedé,

Sempre assim dizia:

“Quem na vida quer

 

Ter uma velhice boa,

Trabalhe com fé, amor,

Alegria e faça sempre

Seu pé-de-meia. Vou

 

Contar um caso sim,

Que incidiu na Terra,

Sobretudo neste meu

Amado pé de serra

 

Titulado Bananeiras:

Ora, um parente meu

Tinha uma vida sim,

Abençoada por Deus,

 

Mas ele falou besteira

Confiando na “riqueza”

Que achava que tinha.

Daí disse com firmeza:

 

‘Eu queria ser pobre,

Só pra eu ver como é

A vida de um pobre’.”

Isso minha mãe Dedé

 

Relatou pra mim aqui

No vasto Orbe Terra,

Mormente em meu

Apreciado pé de serra

 

Titulado Bananeiras,

Lugarejo onde nasci,

Cresci e já vivo ditoso

Com a D. Marisa aqui

 

Na Chácara Santa Maria.

Aonde eu sempre vou

Trazer essa frase que

Já dizia o saudoso avô

 

De minha terna Varoa,

Meu amor e querida,

A minha Companheira,

Até aqui, D. Marisa:

 

“A gente ajunta com

Os dentes, para comer

Com a gengiva.” Então,

É o motivo de eu ser

 

Sim um cara separado,

Pois já sei o quanto dói

E os anos que já sofri.

O que a gente constrói

 

Aqui no vasto Planeta

Intitulado Terra,

Principalmente aqui

Em meu pé de serra,

 

Não é para esbanjar

Como besta que rala

Dia e noite, noite e dia,

Achando que é o cara

 

Que tudo pode fazer.

Daí a pouco, já está

Na pior, e vendo tudo

Se indo, até a Varoa já

 

Está pensando de cai

Fora, porque ninguém

É obrigado sofrer não,

Por gente que não tem

 

Controle nesta vida.

Ora, já quer se lascar?

Vá! A escolha é sua,

Me deixe neste lugar

 

Em paz. Então, jamais

Serei besta na Terra,

Sobretudo neste meu

Querino pé de serra

 

Titulado Bananeiras,

Lugar onde eu nasci

E cresci sim, sofrendo,

E sem D. Marisa aqui,

 

Eu seria um lascado

Ou já teria morrido.

Então, pra mim a vida

Já tem mais sentido,

 

E tudo isso vai passar,

Como passaram anos

E já completo neste

Meu cantinho baiano

 

Os meus 65 anos sim,

De vida ao lado desta

Mulher querida, meu

Amor e Musa Poética.

 

Mário Querino – Poeta de Deus    

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