Ora, eu sonhei sim,
Que havia na cidade
Um senhor apegado
Nas coisas, verdade!
Então ele fazia sim,
Questão por tudo
Que possuía aqui
No Orbe, sobretudo
Na cidade que ele
Morava numa boa,
Mas não abria mão
De nada às pessoas.
E sendo criticado
Por todos da cidade,
(Quem o conhecia).
Na sua mocidade
Não possuía nada,
A não ser, sacrifício
Para sobreviver sim
Entre seus patrícios,
A ponto de não dar
Direitos aos filhos,
Que ainda seguiam
Seu próprio trilho.
Um dia ele viajou
E um genro foi lá
Na casa dele sim,
Pegar algo pra ralar.
E quando o senhor
Chegou e não viu
O objeto de trabalho,
Ficou triste e decidiu
Mandar seu genro
Levar de volta.
O seu genro ficou
Triste. Quem gosta?
Daí seu genro disse:
“Minhas noras são
Filhas também com
Direitos iguais.” Então
Afirmou seu genro:
“Eu pensei que fosse
Visto como um filho,
Mas isso me trouxe
Sim uma desilusão.”
E ao levar o objeto,
O genro assim falou:
“Desculpa! O certo
Era eu não ter vindo
Buscar isso não,
Para eu não passar
Por essa frustração,
Por ter vindo pegar
Sem pedir, porém,
Já trouxe, obrigado!
Se precisar também
De mim estou aqui,
Porque eu trabalho
Para ter as coisas
E quebrar sim galho
De quem precisar
De algo meu, e está
Dentro do possível,
Ainda vou comprar
Isso pra ter em casa
E emprestar a quem
Gosta de trabalhar
Com amor também.
Aqui está seu objeto,
Saiba que considero
Meus genros e noras
Como filhos, espero
Que o senhor intua
Que genro eu sou,
Mas se não tenho
Direito, eu não vou
Pegar mais nada não,
Aqui em sua casa,
Eu penso que tenho
Amigos, e mais nada
Daqui eu vou querer,
A não ser a sua filha
Que ainda segue
Ditosa minha trilha.”
Daí eu me acordei
E fiquei pensativo
Nas coisas da vida
Que tenho engolido,
Para ser bom sim,
Porém, não vale não,
A pena, pois a alma,
O espírito e coração
Sofrem inocentes.
Então isso pra mim
É triste demais,
Pra que ser assim,
Apegado em algo
Que a traça corrói
E a ferrugem com
Gosto tudo destrói?
Se já temos a graça
De possuir algo,
Podemos servir sim
Com fé e sossegado.
Mário Querino – Poeta de
Deus

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