Ora, quando Deus dá
Uma natureza a gente,
Não adianta correria
Pra auferir lá na frente
O que deseja o coração,
Porque sua tendência
É votada mais pra doar
Do que a gente pensa:
Vou estudar, serei sim
Um Doutor para eu ter
Muito dinheiro, bens
Materiais e um prazer
De viver neste Planeta
Intitulado Terra,
Sobretudo neste meu
Apreciado pé de serra
Onde fica Pindobaçu,
Pequeno Município
Onde fica Bananeiras,
Lugarejo onde eu fico
Ditoso com D. Marisa,
Mulher que até aqui,
Tem cuido muito bem,
Que eu já posso sentir
Esse seu grande amor
Pela minha pessoa,
A ponto de eu ousar
Comentar numa boa
Que nem minha mãe
Cuidou de mim como
Cuida a D. Marisa.
Ora, eu sou mordomo
Com vida que eu não
Tive quando eu vivia
Com meus pais, pois
Eram 11 irmãos, e via
Que meus pais eram
Pobres e analfabetos,
E a renda deles vinha
Da roça e um Bar aberto,
Sobretudo no domingo,
Onde amigos jogavam
Sinuca. Então, meu pai
Pouca grana ganhava,
A ponto de não poder
Colocar-nos em Escola.
E desde os meus 10 anos
Venho lutando até agora,
Antes entrei sim, até
Na depressão, a fim
De ser um bom Doutor,
E tudo era contra mim,
A ponto de ser na Terra
Torturado, preso e solto
Numa Capital, sujo, com
Fome, descalço e louco,
Porém, sem passar pela
Mente o desejo de ser
Uma pessoa desonesta,
Ainda sem eu saber
Aonde eu chegaria sim.
Como era prova de Deus,
A Porta foi se abrindo
Foi então vendo tudo
Isso que eu passava
Desde quando nasci
Num Lar que estava
Repleto de 7 pessoas,
E depois vieram mais
4, fora meus pais sim,
Então, isso só me faz
Agradecer ao Senhor
Por ter chegando sim,
A minha Vitória agora,
Já pertinho do fim.
E Deus me ofereceu
A jovem Maria José,
Que era mais pobre
Do que eu, mas por fé
Não viu minha doidice,
A ponto de me amar
Ouvindo palavras sim,
Preconceituosas, já
A fim de destruir seu
Amor para comigo.
Mas a jovem foi forte
E visava um paraíso
Até mesmo se ter não,
Essa expectativa.
E entre altos e baixos,
Hoje, a D. Marisa
Já se sente uma pessoa
Bem feliz, comparando
A sua vida no passado
Neste cantinho baiano.
Ora, por isso eu não
Tenho nenhum gosto
Com essa tal preguiça.
E luto feito um louco,
Para ter minhas coisas
E poder ajudar sim
As pessoas que estão
Ao redor de mim.
Ainda eu não tendo
Dinheiro, mas uso sim,
A coragem e a fé
Que ainda há em mim,
Sempre faço trabalho
Voluntário na boa,
Para mostrar a forma
Melhor pras pessoas
Que ainda tem a vida
Votada no Senhor
Que fez céus, terra
E à gente confiou.
Então, quando Deus
Dá uma natureza sim,
A gente deve aceitar
Com calma até o fim.
Porque Deus tem aqui
Um desígnio pra todos,
Ainda que a gente
Fique na Terra doido,
Deus olha com o seu
Olhar de misericórdia,
E para alegrar a gente
Usa sim a concórdia.
Pois somos humanos
E sujeitos a tudo sim,
Nesta vida que temos
Na Terra até ao fim.
Então, não adianta
A gente querer algo
Por cima de tudo não,
Deixando atropelado
Nosso próximo aqui
No Planeta Terra,
Mormente no meu
Amado pé de serra.
Pois é como Deus diz
Pra aquele que o ama
Em espírito e verdade
E de nada reclama:
“Mas, como está
Escrito, ‘o que Deus
Preparou para os que
O amam é algo que
Os olhos jamais viram,
Nem os ouvidos
Ouviram, nem coração
Algum jamais pressentiu’.”
(1 Cor 2, 9)
Então, agora, eu já sou
Cônscio que a ambição
Deixa o povo iludido.
Por que é uma ilusão?
Porque no meu ponto
De vista sobre o Chão,
Noto que não existe
Não, gaveta no caixão.
Por isso Deus dá dom
De riqueza pra alguém,
Para esse alguém ter
Misericórdia também.
Pois um milionário
Que nega um pão
Pro faminto, é mais
Pobre do que o Cão.
Por isso, ainda sendo
Um pobre financeiro,
Dou algo importante
Sem ter o dinheiro:
Paz, amor, gratidão,
Palavras amigáveis,
A confiança de estar
Em lugares agradáveis
Sem essa tal malícia.
Pois para mim todos
São pessoas boas sim,
Ainda eu sendo doido.
É através da loucura
Que a minha mente
Procura o melhor
Entre toda essa gente
Que fica ao meu redor.
Por isso eu aceito
Esta minha natureza
E continuo satisfeito
Até o tempo do corpo
Regressar ao Pó,
A alma e o espírito
Irem ao lugar melhor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário