Ora, vou agora parar
Só um pouco pra eu
Escrever o caso dito
Sim, pelo sogro meu.
Ora, meu sogro tem
84 anos de vivência,
Mas é um idoso sim,
Que também pensa
Com fé, paz e amor,
Alegria e gratidão,
Enquanto ele falava,
Eu prestava atenção.
Ora, meu sogro não
Ler nem redige, cabe
No seu bom coração
Aquilo que ele sabe
Fazer e tem na vida:
Fé e honestidade.
Desde sua mocidade.
Então, sua conversa
Mostra para a gente
Uma boa edição sim,
E a ideia inteligente.
Por isso ele me disse
Quando veio visitar
A Chácara Santa Maria.
Ora, eu pude escutar
A sua conversa boa.
Então, Seu Pedro,
Ontem, falou a mim
Um grande segredo
De Homem honesto.
Ora, Seu Pedro foi
Trabalhar fora daqui
Com o amigo. Depois
Que estavam na casa
Onde seu Patrão
Conseguiu para eles
Ficarem. Daí então,
O seu Patrão colocou
Muito dinheiro sim,
Dentro do armário
E tintim por tintim
Tudo ficou em ordem,
Daí ele foi se embora.
E quando Seu Pedro
Viu, disse: “E agora?
Então, ele chamou
Seu bom amigo sim,
Pra ver isso também
Tintim por tintim.
Eles se combinaram,
Dizendo isso também:
“Ora, isso pode ser
Uma isca, e isso tem
Um bom sinal sim,
Pois quem já se viu
Dinheiro em armário?”
Seu Pedro só refletiu,
E depois disse isso:
“Vamos fechar a porta
E ficaremos aqui fora
Até o Patrão de volta
Chegar.” Assim eles
Fizeram na casa onde
O Patrão os testou.
Ora, Patrão esconde
Alguma coisa pra ver
Se há algum servidor
Trabalhando pra ele
Desonesto. Contou
Para mim esse caso
Meu querido sogro,
Que não tem estudo,
Mas vive entre o povo
Honestamente, isso
Dá a entender que,
Pra ter honestidade,
Não é necessário ser
Não, gente formada.
Basta seguir exemplo
De seus pais. A minha
Mãe, D. Dedé, tempo
Ela perdia dialogando
Comigo nesta Terra,
Sobretudo em meu
Apreciado pé de serra
Titulado Bananeiras,
Onde eu nasci, cresci
E me casei também
Com a D. Marisa aqui.
Ora, já temos 2 filhos,
2 noras e 4 netinhos,
Até aqui, seguiremos
Honestos o caminho
Que a minha mãe já
Ensinou-me desde
Quando eu era sim,
Criança. Hoje, a sede
De eu ser honesto,
Faz-me até sofrer sim,
Pois prefiro não ter
Nada do que de mim
O povo falar que eu
Enganei uma pessoa.
Ora, essa postura já
Tem D. Marisa na boa,
E ainda não ouvi não,
Alguém falar assim:
“Os filhos do Mário
Querino são ruins
E desonestos, e suas
Noras são piores sim,
E seus netos nem se
Fala, são muito ruins!”
Então, o Seu Pedro,
Contou-me que, seu
Pai era aconselhador,
Mesmo sem saber ler.
Eram uns 14 irmãos,
Que viviam na roça,
E seu Pedro sendo
O mais velho. Troca
Hoje em dia, palavras
Com o genro, que é
Pelas graças de Deus
E fé em Jesus de Nazaré,
Bacharel em Teologia.
Então, a honestidade
Não é algo criado não,
Na Escola ou Faculdade,
Mas já vem de berço.
Quando a pessoa não
É ensinada quando
Criança, a pretensão
Faz a pessoa fazer sim,
As besteiras que vejo
Os doutores fazendo
Nesta terra sertaneja.
Ora, se a minha mãe,
Não tivesse ensinado
A mim a honestidade
No cantinho amado
Intitulado Bananeiras,
Hoje em dia, eu seria
Um derrotado, pelo
Que eu já passei dia
Após dia neste Orbe
Intitulado Terra,
Mormente em meu
Amado pé de serra
Onde eu vivo ditoso,
Graças à honestidade
Que aprendi de mãe,
Dedé, sem Faculdade.
Por isso a D. Marisa
Suportou preconceito,
Zombaria por minha
Causa, porque direito
Ela teve de tirar Raio-X
De meu terno coração,
E intuir que eu era
Seu amor e sua paixão.
Por isso a D. Marisa
Não foi besta pra ouvir
Conversa de ninguém
Que queria lhe destruir,
Pondo-lhe minhoca
Na sua cabeça, para
Tirar-lhe da minha vida,
Por eu ser um cara
Muito louco no Orbe
Intitulado Terra,
Sobretudo neste meu
Amado pé de serra
Onde eu procuro ser
Honesto como minha
Mãe me ensinou sim,
Desde eu criancinha.
Então, um bom filho,
Tem tudo para ser
Bom marido, bom pai
E bom genro. Você
Seja honesto no Orbe
Intitulado Terra,
Principalmente aqui
Em seu pé de serra,
Pois é em casa que
Começa a Educação,
Pois nenhuma Escola
Educa sem formação
Familiar. Ora, quantos
Doutores milionários,
A gente vê em lugar
Que este louco Mário
Querino, ficou melhor
Dentro dum Hospício
Do que onde estão
Esses doutores? Isso
Acho pior que loucura:
Doutor fazer besteiras
Que eu sendo louco
Não faço em Bananeiras.
Mário Querino – Poeta de Deus

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