Ora, quando eu era
Adolescente, amava
Assistir futebol sim
Aqui perto de casa.
Daí chegou um time
De Campo Formoso
Pra jogar no Campo
De Bananeiras, jogo
Que assisti contente
Da beira do Campo.
Porque no passado
Não existia tanto
Interesse pela grana,
O time jogava ditoso
Pra alegrar a torcida
E satisfazer o povo.
Ora, antes de iniciar
O jogo, um cara que
Estava ali brincando
Com a bola, sem ver
Seu relógio que caiu
Do punho, continuou
Brincando até que eu
Inquiri: É do senhor
Este relógio? Achei
Aqui. Ele recebendo
O relógio bem feliz,
Logo foi me dizendo:
“Tome esta moeda
Para você comprar
Uma corda e depois
Na boa se enforcar,”
Ora, eu não percebi
Que ele me chamou
De besta, por eu ser
Honesto, como sou.
Daí eu cheguei sim
Em casa, falei isso
Para a minha mãe,
Que tinha me dito:
“Quem já tem besta
Não compra cavalo.”
Daí eu lhe perguntei:
Por que diz? É claro,
Minha mãe contou
Uma história boa,
Que já tinha ouvido
De outras pessoas:
“Havia um Vaqueiro
Que tinha um legal
Cavalo na fazenda,
Daí ele passou mal
E morreu. Daí então,
O Vaqueiro caçou
Outro bom cavalo,
Mas o patrão doou
Uma besta, a ponto
De o Vaqueiro falar:
‘Quem tem besta não
Compra cavalo’.” Dá
A entender que fui
Besta por entregar
O relógio ao cara que
Desejou me enforcar
Com a corda que eu
Compraria com essa
Moeda que ele deu
Por ter ação honesta.
Ora, o Campo era ali
Pegado com a Lagoa
De Santa Efigênia,
E juntava as pessoas
Para assistirem sim
O jogo que incidia
No dia de domingo,
Com prazer e alegria.
Ora, quando eu era
Adolescente, eu já
Sabia que achando
Algo, era pra entregar
Ao dono, pois não
Era meu. Ora, até
Aqui, eu trago isso
No coração, por fé
Em Deus e por ler
As palavras de Jesus,
Que veio orientar
E pregado na cruz
Morreu por todos
Nós. Então, ainda
Que eu seja besta,
Por visar coisa divina,
Continuo sendo sim,
Honesto no possível,
Porque a minha mãe
Dizia, por incrível
Que pareça, assim:
“É sim, a situação
Que faz um homem
Se tornar um ladrão.”
Mas graças a Deus,
Que já passei fome,
Frio, andei descalço
E já fui um Homem
Que dormi na calçada,
Já fui muito louco,
Mas nunca eu pensei
Em roubar os outros.
Se sou pobre por ser
Um besta na Terra,
Sobretudo em meu
Amado pé de serra
Titulado Bananeiras
Onde nasci, cresci
E vivo bem com
D. Marisa até aqui,
Quero continuar sim,
Sendo besta por ser
Um cara honesto
E vivo pra amar você.
Então, se eu não fui
Um cara fora da Lei
Quando era jovem,
Agora, que eu serei?
Mário Querino – Poeta de
Deus

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