Ora, quando eu tinha
Os 19 anos de idade,
Eu vivia em São Paulo
E ralava na cidade
De São Bernardo sim,
Não era empregado,
Eu fazia bico como
Servente, e animado
Todo dia eu saia sim,
Do Bairro intitulado
Pimentas, que fica
Também localizado
Em Guarulhos. Ora,
Eu saia de casa às 3
Horas da madrugada
Numa boa, certa vez
Eu fui trabalhar com
Um companheiro
Que fazia também
Bico, por ser Pedreiro.
Como a gente ia sim,
No ônibus da Empresa
Mercedes Bens, pois
A gente ia com certeza
De São Miguel Paulista
Ao São Bernardo sim.
A gente tinha o direito,
Pois tintim por tintim
A obra que a gente ali
Fazia era de um chefe
Da Mercedes Bens.
Ora, a gente merece
Uma condução assim.
Mas certo dia incidiu
Uma grande Greve,
E a Empresa decidiu
Não enviar os ônibus
Que levavam o povo
De volta aos lugares.
E às 17 horas, ditoso
Eu cheguei ao Pátio
Sim confiantemente,
Que iria ter o ônibus
De volta para a gente.
Mas foi um engano,
Eu vi todos fechados,
Sem ordem de saírem,
E fiquei preocupado
Quando o companheiro
Falou para mim isso:
“Fica aqui, que eu vou
Ali.” Ora, eu ouvi o dito
Dele, e fiquei, pois eu
Não conhecia nada ali,
Nem ninguém entre
Os que no ônibus eu vi
Quando eu fui cedo.
Ora, parece um sonho,
Sumiu o companheiro
Meu titulado Antônio.
Daí começa a anoitecer,
E eu sem dinheiro
E também sem mais
O meu companheiro
De trabalho. Ora, me
Veio o desejo de pedir
O valor das passagens
Numa Padaria que ali
Tinha, mas como Deus
É bom e providencia
Algo necessário para
Quem n’Ele confia,
Aproximou-me 3 caras,
E me deu a coragem
De eu lhes pedir sim,
O valor das passagens,
Pois eu pegaria umas
3 conduções até chegar
Ao Bairro dos Pimentas,
Que em Guarulhos está.
E mesmo sem os caras
Me conhecerem ouvi
Deles essa boa palavra:
“Ande conosco aqui,
Que também vamos
Para os Pimentas sim.”
Eu comecei a segui-los
Tintim por tintim.
Mas quando tudo já
Estava escuro, 1 deles
Perguntou-me: “100
Cruzeiros dão?” Nele
Confiei e disse: Talvez
Dê. Ele enfiou a mão
No bolso e me deu sim,
Com amor e satisfação.
Porém, ele ainda disse.
“Se algum dia você ter
A chance de encontrar
Um de nós, e querer
Devolver, tudo bem,
Ao contrário, você não
Deve nada não, a nós,
Vá com Deus, ó irmão!”
Ora, me despedi ditoso,
E não deixei de chorar
Por eu saber que ainda
Tem gente para ajudar
A quem vive carente.
Por isso agora eu sou,
Voluntário, só para
Agradecer ao Senhor
Nosso amado Deus,
Deus da providência.
Então, hoje, eu redijo
Tudo com consciência.
Por que, ó Querino?
Por ser ditoso da vida,
Ao lado desta Mulher
Intitulada D. Marisa.
Mário Querino – Poeta de
Deus

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