Alguém inquiriu assim:
“Por que o preço do ovo
Subiu sim abusivamente?”
Ora, a pergunta do povo
É tão fácil de redarguir,
Que eu vou esclarecer
Primeiro que a resposta
Da pergunta de você.
Quando eu era moço,
Eu ia pro açougue sim,
E lá eu via um pobre
Sim, tintim por tintim
Escolhendo os ossos
Para comprar e fazer
Pirão pra sua Família
De fome não morrer,
Ouvia um pobre falar
Que comia o tal ovo,
A ponto de lhe chamar
De olhão. E de novo
Um pobre só comia
As coisas que o rico
Tinha nojo de comer.
Agora, vejo frigorífico
Vendendo ossos sim,
Para as pessoas ricas
Fazerem o bom pirão,
E por isso tudo já fica
Sim, tão caro, por que
Ricos podem comprar
Muitos ossos, mocotó,
Fato, e hoje, o ovo que
Já era pão do pobre,
A granja já vende sim,
Pro rico que compra
Sim, tintim por tintim.
Ora, a moda já pegou
E virou uma pandemia
Nos restaurantes sim,
Onde ninguém comia
O pirão de osso, ovo,
Fato, e as coisas que,
Quem comia era pobre,
E ainda sem ele poder
Comprar o tanto que
Ele poderia saciar sim,
A vontade da Família.
Ora, tintim por tintim
Os ricos descobriram
Que as coisas de pobre
Tem mais substâncias
E tudo isso nos pode
Fortalecer em todas
As áreas aqui na Terra,
Sobretudo em meu
Amado pé de serra
Onde eu já comi com
Muitos ovos com gosto,
Fato, e sim, sobretudo
Pirão feito de bom osso.
Quem não quer tomar
Um caldo de mocotó,
Pra ficar mais potente?
Você não quer o melhor
Prato feito com ovo?
Quem não quer prato
Feito com coração,
Língua, bofe tripa fato,
Passarinha e tudo mais
Que os pobres comiam
Se sentindo infelizes,
Porque rico não queria?
Agora, tudo já mudou,
Porque o rico descobriu
Que, a comida de pobre
É sim, melhor no Brasil.
Então, acho que eu já
Respondi com justiça
A sua pergunta sim,
E agora, você já fica
Sabendo o porquê já
É caro o pão do pobre:
Ora, é só porque está
Na mesa dos nobres,
Que podem comprar
Muito, e nada disso dá
Pra saciar a fome não,
Do pobre que já está
Querendo comer ovo
E outras coisas assim,
Que outrora achava
Que era um pão ruim.
Mário Querino – Poeta de Deus


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