Ora, eu sonhei que
Havia uma senhora
Que criava galinha,
Uma amiga de fora,
Quer dizer, de outro
Ambiente iria visitar
O seu lugarejo e lhe
Solicitou pra matar
Um franguinho sim,
E fazer bom cozido,
Pois ela iria à sua
Casa com um amigo.
Então, quando o dia
Amanheceu o marido
Dela foi ao poleiro
E pegou o preferido
Franguinho pra matar.
O sentimento chegou
Primeiro que a Morte
Do franguinho, e ficou
Abraçando, beijando
E fazendo sim cafuné,
A ponto de a dor
Aumentar, a Mulher
Falou para o marido:
“Não matarei não,
O franguinho, ele é
A minha boa criação
E ainda tem cântico
Emocionante pra tu
E também pra mim:
‘Cucurucu, cucurucu!’
Ora, não matarei não,
Meu lindo franguinho,
Para eu não morrer,
Não, ó meu benzinho.”
Daí então, o marido
Disse para a Varoa:
“Todavia, essa visita
É sim, de gente boa.”
Sua esposa objetou:
“Mas a visita come
A carne do franguinho
Alegre e após some,
E ao amanhecer o dia
Para mim e para tu,
Sentiremos saudades
Do canto: ‘Cucurucu!’
Não, não matarei não,
Este lindo franguinho,
Quando a visita vier
Eu faço o feijãozinho
Com arroz e outras
Misturas com carinho
E a gente come na boa,
Em nosso cantinho,
Eu só não vou matar
O meu franguinho,
Para eu não morrer
Neste meu cantinho
De saudade do canto:
‘Cucurucu, cucurucu!’
Amor, isso me dói,
E não sente nada tu?”
Daí eu me acordei,
Com o cantar do galo
Que a gente tem aqui
No poleiro, é claro.
Eu acho muito bonito
Quando o galo canta
Na Chácara Santa Maria,
E a gente se levanta
Para encarar o labor
Que temos todo dia,
Claro, eu e D. Marisa
Na Chácara Santa Maria.
Matar um franguinho
Não é uma boa coisa,
A visita vai se embora
E fica a saudade doida
Do lindo cântico sim.
Então, não aconselho
Que mate franguinho
Pra fazer gosto alheio.
Mário Querino – Poeta de
Deus

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